Lua Cheia e Sincronias

Apesar de a lua estar nova, hoje foi quarta-feira, por isso resolvi postar esse texto que eu gosto e que faz tempo que escrevi.

Originalmente postado em 14/05/2009 – 13:28

De noite

Um jazz e um gato. Isso é jazz? Acho difícil saber. Não tenho certeza, mas ao mesmo tempo, sei que isso é um gato. Pelo menos sei distinguir os animais. Isso é um gato charmoso e carente e isso é um chá cítrico. Ainda bem que não tem gripe felina, nem gripe tangerina. Hoje é quarta-feira e muitas pessoas comeram feijoada. A gripe fica na carne do porco cozido? Isso pode não ser a pergunta mais elaborada que sou capaz de fazer no fim deste dia normal de lua cheia. A lua reflete a luz do sol que está lá do outro lado do planeta, assim como uma parte de mim reflete a luz da minha própria consciência que brilha escondida em algum lugar, ao longe. É lá que tento chegar, começando com uma pergunta prozaica sobre porco ou com um raciocínio simples do tipo “isso é jazz ou não?” “isso é gato ou não?”. É preciso cavar. Gosto de não me contentar com o primeiro pensamento. Ele é só a superfície. Se a vida fosse fácil, não tinha que cavar para achar ouro, petróleo e múmias.

De Tarde

Coincidência? Sincronicidade? Esse termo eu tento entender, mas acho bastante complicado. O Jung realmente não sabia escrever para as massas, hein. Acho que na verdade ele não queria escrever para a torcida do Palmeiras, nem para os administradores de empresa interessados na natureza humana ou muito menos para a galera que mora na Lapa. São conceitos super possíveis de serem compreendidos `a partir da própria experiência, mas ele escreve tão difícil que parece que só as pessoas pós-graduadas em Harvard passam por isso. E não é verdade. As pessoas comuns também são capazes de compreender do que se trata a sincronicidade.

Então hoje pela tarde eu tive aula de interpretação, mas no caminho passei pela Av. Doutor Arnaldo e pensei que o apocalipse estava acontecendo. Pensei que se fosse tão lindo quanto aquilo, morreríamos todos fascinados pelos faiscantes e letais brilhos prateados que caiam do céu aos montes. Mas não era o fim do mundo, eram apenas papéis-espelho picados de uma confraternização na Igreja, o que no fundo me deixou aliviada.

Na aula falamos muito sobre cores e chakras e sobre permanecer consigo mesmo, conectado internamente. Parecia piada porque era exatamente o assunto do rádio hoje pela manhã.

De Manhã

Não tenho o hábito de ligar o rádio. Muito menos de sintonizar qualquer estação diferente das três gravadas no meu dial. Mas nesta manhã me arrisquei nas ondas da FM. Me senti perdida no Hawaii, só que sem gastar dinheiro. Tomei alguns caldos até conseguir dropar uma voz feminina desconhecida que se manteve no ar por mais de quarenta minutos falando sobre cores e charkas. Pouco ouvi sobre este assunto em mídias de massa, quanto mais no rádio. Alguém que tentava democratizar o conhecimento da ligação entre o físico, o emocional e o espiritual invadiu a minha manhã e me deixou feliz. Ela ensinava a meditar e dizia que cada um faz do seu jeito. O sinal fechado e eu ouvindo. Pessoas ligavam para tirar dúvidas. Ela falava sobre Yoga enquanto alguém buzinava atrás de mim. Não posso esquecer de comprar ovos – pensei enquanto agradecia por tudo e ouvia meu celular tocar. Hoje começou cedo. Que assim seja. Tenho um longo dia pela frente.

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3 Comentários on “Lua Cheia e Sincronias”

  1. Sydney disse:

    Ler Jung é f* mesmo rss até hj eu nao sei se gosto ou desgosto do que ele pesquisou/escreveu..assim como Nietzsche; tem que ter estômago! Mas confesso que muitos textos elucidam bem o ‘teatro da mente’.

    Lu, adorei adorei adorei o texto, sei tbm como é essa ‘indignaçao’ (rs), se é que posso chamar assim, de nao consguir entender como a vida/universo trabalha, penso que isso ainda não pode ser discutido sob a lupa humana. Realmente, só pode ser sentido, pois esse cara sacou: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.” W. Shakespeare

    Eqt a todo momento estamos fazendo Yoga, percebemos essas sincronicidades ou “coincidências” e o mínimo que podemos pensar é o Universo se comunicando de forma no mínimo muitcho louca!

    Escolhendo conscientemente para onde queremos ir, essas “coincidências” vao chegando aos montess!

    isso significa que estamos conectados à nós mesmos, à nossas escolhas, ao Universo! e nao ficando dispersos. É como Jung disse: “Até que você torne consciente a inconsciência, a inconsciência direcionará sua vida e você chamará isso de destino”.

    E aguçando a percepçao, e deixando de lado rótulos, nao só sentiremos oq um estilo musical, um humano, ou alguma coisa orgâncica nos passa, como tbm passamos a sentir a essência real da vida.

    Smack ;*
    Adorei 🙂

  2. Samuel disse:

    Pois é… Como diria Nisargadatta: “To lose entirely all interest in knowledge results in omniscience.”

    Ah, e segundo o Serra, gripe suína “vem do porquinho”. kkkk

    Bjs


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