NOITE QUENTE EM FLORIANÓPOLIS

originalmente postado em 09/02/2009 – 17:43

As gravações do Notícias de Verão terminaram agora em fevereiro. Eu e a equipe ficamos em Florianópolis por um mês e meio, trabalhando, mas também curtindo o dia… e a noite. Não, não é o que vocês estão imaginando. Nada de baladas homéricas nem bebedeiras sem fim. O buraco era mais embaixo. Segue um conto que escrevi no ano passado em homenagem aos amáveis vizinhos de quarto. Seres altamente inescrupulosos e endemoniados.

BLAAAM!!!
 
Eu já estava quase dormindo. Violentamente, bateu uma porta que foi esmurrando átomo a átomo até o impacto repercutir dentro do meu cérebro adormecido. Acordei em estado de sítio, achando que um tsunami estava derrubando as paredes ou que era um pesadelo dos mais terríveis, mas não. Era muito pior do que isso.

Ao lado do meu quarto existe um outro quarto. Há uma porta que conecta um ao outro. Ela fica o tempo todo trancada. Ora, os hóspedes vizinhos e eu não mantemos nenhuma relação de intimidade, certo? Mais ou menos.

A porta, por ser mais fina do que o concreto da parede, conduz o som com grande facilidade. Estou no quarto sozinha, solitária, e por conta da fina porta, agora tenho o privilégio de me sentir praticamente parte deste adorável clã portenho que resolveu visitar o Brasil neste verão. Muita alegria e descontração durante o dia. E também durante a noite. Hoje eles chegaram um pouco tarde. Talvez não seja tarde para quem está de ferias como eles. É que infelizmente eu não estou, não é mesmo?

Com grande estardalhaço e animação, quase arrombaram a porta do elevador no terceiro andar do hotel. A Família Buscapé dos Pampas com a qual sou obrigada a compartilhar momentos indoor, estava hoje com a pá virada. 
 
Eles entram gritando. Rindo. Pulando. Passam pelo corredor escuro como quem passa pela Sapucaí lotada. Entram no quarto tão sutilmente quanto um esquadrão anti-sequestro invade um cativeiro. Pelo som, são cinco pessoas. Mãe, pai, filha, filho e outro filho. Talvez mil filhos que se multipliquem como gremlings. Só que em vez de água, eles reagem ao som. Quanto mais alto, mais eles se tornam. O pai grita com a mãe. O filho grita com o outro filho e a filha grita porque ninguém grita com ela.

BLABTBLAAAM! CRRROOOOOOWWWWSHHHHHHH

Eles parecem ter derrubado o armário. Ou levantado a cama de casal, todos juntos, e jogado para cima para vê-la cair e abrir um buraco no chão. Deve ter sido hilário porque todos riem como loucos. Parecem bêbados. Inclusive as crianças. Principalmente as crianças. O pai está bravo. Ele agora grita mais grosso com a mãe. Deve estar arrependido por ter embebedado as crianças. Eles falam em espanhol.

Ligo para a recepção.

– Iago. Boa noite.

– Oi. Aqui é do 303. Estamos com um problema. Eu e o andar inteiro…

BLAM!!!!!!

– Você ouviu? Estão tentando destruir o quarto ao lado do meu. Uma família, eu acho. Ou talvez uma gangue. Eles gritam em espanhol e arrastam móveis. Existe máfia na Argentina, Iago?

– Não saberia informar, senhora. Mas vou mandar o segurança verificar qual é o quarto em questão.

CRRROOOOOOOWWWPPPPAAAAAWWOWOOOWOWOWOWOOW
HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHA

E berravam e brigavam uns com os outros, cada vez mais alto.

– Ele vai precisar de bombas de gás, Iago.

Desliguei. Começaram a surgir gaps de poucos segundos entre um atentado aos móveis e outro. É sempre assim. Eles vão parar bem na hora que o segurança chegar e vão continuar assim que ele se for.

Bingo. No curto espaço de tempo em que o segurança perambulava pelo andar, os circo de pulgas gigantes milagrosamente silenciou. Tentei aproveitar a bênção divina para pegar no sono, rápido, mas incrivelmente fui impedida pelo canto desesperado de duas gaivotas.

– Silêncio, criaturas! Isso não é hora de pássaro estar acordado! 
 
E nem de quem vai trabalhar cedo.

Liguei de novo.

– Iago, boa noite. Aliás, boa madrugada. Eles acordaram os pássaros também. Você tem o telefone do IBAMA?

– Desculpe, senhora…

– Se eles continuarem assim, vão acordar todo o hemisfério ocidental, que deveria estar dormindo enquanto ainda é noite. Nem todos estão de férias neste hotel, Iago. Será que vamos conseguir resolver isso antes do sol raiar?

A algazarra se alastrou ainda mais. É lógico, não é uma família iniciante. Eles têm um radar que capta a presença de seguranças, e misteriosamente só eu ouvi a baderna. Ninguém mais. Não havia maneira de dormir. Tentei de tudo. Até o barulho do ar condicionado tentou me ajudar, mas não foi suficiente. As gaivotas estavam a mil e também contribuíram para a noite insone. 
 
Hoje vou tentar encontrá-los na praia. Se nessa noite rolar outra festinha, que pelo menos me convidem!

por @LuMicheletti

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18 Comentários on “NOITE QUENTE EM FLORIANÓPOLIS”

  1. Ninho disse:

    ” Entram no quarto tão sutilmente quanto um esquadrão anti-sequestro invade um cativeiro.” Muito bom!!! hauHAUhuHAUhauHUAH

  2. Jim disse:

    Caraca Luiza!! vc tah cada dia mais linda… seus posts são muito legais! Parabéns!

  3. pedro disse:

    daria pra atacar por varias frentes. nao funcionando a primeira, poderia partia para a seguinte. sao elas:

    – bater na porta do vizinho, explica a situacao e pedir educadamente.

    – chazinho de camomila, ervadoce ou qualquer um que a sua avó fazia.

    – 250 polichinelos seguidos de um banho quente

    – tóxico (lê-se tóchico)

    – todas as alternativas juntas.

  4. eder disse:

    Inconveniência (argentinice) é um pé no saco… ou no seu caso, no sono.

  5. mario disse:

    vou voltar mais, legal… abraço.

  6. marco aurelio casrezzato disse:

    prometo a pasrtrir das proximas pra que vc aprove meus comentarios falar com vc sobre coisas nprmais comentando suas novidades do blog.bjo e ate breve…

  7. sydney disse:

    …e eu nem acredito como o tempo voou desde esse fato HAHAHA

    besos

  8. leticia. disse:

    ‘existe mafia na argentina, iago?’ – ‘nao sei informar, senhora’ HAHAHAHA genial. tinha esquecido dessa historia! hilaria. beeeijos

  9. Vinicius disse:

    ‘Passam pelo corredor escuro como quem passa pela Sapucaí lotada’ pode ter parecido exagero da Luisa, mas conheço esse tipo de gente. Um dia, em um quarto de hotel, meus vizinhos temporários pareciam uma manada de elefantes, e isso às 23h da noite.

  10. Rayra D. disse:

    já tinha lido..gostei da foto!tá toda serelepe!uahs

  11. Lucas disse:

    “Eles parecem ter derrubado o armário. Ou levantado a cama de casal, todos juntos, e jogado para cima para vê-la cair e abrir um buraco no chão. ” Hahaha! Uma coisa chata e ao mesmo tempo engraçada! Luisa, os contos da sua vida são sensacionais! Teu blog é sempre interessante e divertido!
    Abraço!

  12. Furious Mind disse:

    Acho que o IBAMA serveria mais pasa os argentinos. rs

  13. Vidal Mateus disse:

    Malditos Argentinos!!!
    Deixem a Luisa dormir em paz!!!

  14. Adrianinho seu aquele mesmo do outro blog iiiiisso aquele que gosta de voce disse:

    Eba eheheheheheheh achei você

    Você no quarto sozinha, solitaria, e eu assistindo um dia numa noite já madrugada, você pegando onda no mar.

  15. Veronica Cristina disse:

    se tem coisa que me irrita é barulho na hora de dormir

  16. anonimo disse:

    você é linda.


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