Eu Recomendo: FUP

Fup é o livro perfeito. Pensei muito se deveria escrever essa frase ou não, porque acho que sou incapaz de justificá-la.

Vou tentar: Fup é hilário e comovente. É trivial e profundo. É um livro leve e extremamente revelador.


É uma história curta sobre uma pata enorme (sim, uma pata), um avô de 99 anos e um jovem rapaz. Fup (fucked up) é adotada pelos dois ainda bebê quando é encontrada toda estraçalhada dentro de um buraco. O velho doidão e o bom moço, apesar de suas inconciliáveis diferenças, tornam Fup mais que um membro da família. Ela vira o elo de ligação entre naturezas opostas que apesar de divergirem completamente, conseguem manter o amor e o respeito. É um dos livros mais bem escritos que já li. Bem escrito porque consegue traduzir com beleza, simplicidade e humor experiências a princípio indescritíveis, como a compreensão e a morte.

“Suas diferenças, apesar de numerosas, eram superficiais; suas semelhanças eram poucas, mas tinham um alicerce: eram ligados pelo espantoso amor que tinham um pelo outro, uma amabilidade que ia além da mera tolerância, uma compreensão sangüínea daquilo que movia seus corações.”

“…escutou atentamente na escuridão uma concentração que parecia tirá-lo de si mesmo em uma suspensão vazia. Escutou o próprio coração parar de bater, o último encher de pulmões deixá-lo em um silêncio luminoso. Esperou, totalmente quieto”.

“Se as coisas continuassem desse jeito, não levaria tempo até precisar de um corpo novinho para acompanhar o espírito”.

“Ora, como os diabos, fui imortal até morrer!”.

Anúncios

NOITE QUENTE EM FLORIANÓPOLIS

originalmente postado em 09/02/2009 – 17:43

As gravações do Notícias de Verão terminaram agora em fevereiro. Eu e a equipe ficamos em Florianópolis por um mês e meio, trabalhando, mas também curtindo o dia… e a noite. Não, não é o que vocês estão imaginando. Nada de baladas homéricas nem bebedeiras sem fim. O buraco era mais embaixo. Segue um conto que escrevi no ano passado em homenagem aos amáveis vizinhos de quarto. Seres altamente inescrupulosos e endemoniados.

BLAAAM!!!
 
Eu já estava quase dormindo. Violentamente, bateu uma porta que foi esmurrando átomo a átomo até o impacto repercutir dentro do meu cérebro adormecido. Acordei em estado de sítio, achando que um tsunami estava derrubando as paredes ou que era um pesadelo dos mais terríveis, mas não. Era muito pior do que isso.

Ao lado do meu quarto existe um outro quarto. Há uma porta que conecta um ao outro. Ela fica o tempo todo trancada. Ora, os hóspedes vizinhos e eu não mantemos nenhuma relação de intimidade, certo? Mais ou menos.

A porta, por ser mais fina do que o concreto da parede, conduz o som com grande facilidade. Estou no quarto sozinha, solitária, e por conta da fina porta, agora tenho o privilégio de me sentir praticamente parte deste adorável clã portenho que resolveu visitar o Brasil neste verão. Muita alegria e descontração durante o dia. E também durante a noite. Hoje eles chegaram um pouco tarde. Talvez não seja tarde para quem está de ferias como eles. É que infelizmente eu não estou, não é mesmo?

Com grande estardalhaço e animação, quase arrombaram a porta do elevador no terceiro andar do hotel. A Família Buscapé dos Pampas com a qual sou obrigada a compartilhar momentos indoor, estava hoje com a pá virada. 
 
Eles entram gritando. Rindo. Pulando. Passam pelo corredor escuro como quem passa pela Sapucaí lotada. Entram no quarto tão sutilmente quanto um esquadrão anti-sequestro invade um cativeiro. Pelo som, são cinco pessoas. Mãe, pai, filha, filho e outro filho. Talvez mil filhos que se multipliquem como gremlings. Só que em vez de água, eles reagem ao som. Quanto mais alto, mais eles se tornam. O pai grita com a mãe. O filho grita com o outro filho e a filha grita porque ninguém grita com ela.

BLABTBLAAAM! CRRROOOOOOWWWWSHHHHHHH

Eles parecem ter derrubado o armário. Ou levantado a cama de casal, todos juntos, e jogado para cima para vê-la cair e abrir um buraco no chão. Deve ter sido hilário porque todos riem como loucos. Parecem bêbados. Inclusive as crianças. Principalmente as crianças. O pai está bravo. Ele agora grita mais grosso com a mãe. Deve estar arrependido por ter embebedado as crianças. Eles falam em espanhol.

Ligo para a recepção.

– Iago. Boa noite.

– Oi. Aqui é do 303. Estamos com um problema. Eu e o andar inteiro…

BLAM!!!!!!

– Você ouviu? Estão tentando destruir o quarto ao lado do meu. Uma família, eu acho. Ou talvez uma gangue. Eles gritam em espanhol e arrastam móveis. Existe máfia na Argentina, Iago?

– Não saberia informar, senhora. Mas vou mandar o segurança verificar qual é o quarto em questão.

CRRROOOOOOOWWWPPPPAAAAAWWOWOOOWOWOWOWOOW
HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHA

E berravam e brigavam uns com os outros, cada vez mais alto.

– Ele vai precisar de bombas de gás, Iago.

Desliguei. Começaram a surgir gaps de poucos segundos entre um atentado aos móveis e outro. É sempre assim. Eles vão parar bem na hora que o segurança chegar e vão continuar assim que ele se for.

Bingo. No curto espaço de tempo em que o segurança perambulava pelo andar, os circo de pulgas gigantes milagrosamente silenciou. Tentei aproveitar a bênção divina para pegar no sono, rápido, mas incrivelmente fui impedida pelo canto desesperado de duas gaivotas.

– Silêncio, criaturas! Isso não é hora de pássaro estar acordado! 
 
E nem de quem vai trabalhar cedo.

Liguei de novo.

– Iago, boa noite. Aliás, boa madrugada. Eles acordaram os pássaros também. Você tem o telefone do IBAMA?

– Desculpe, senhora…

– Se eles continuarem assim, vão acordar todo o hemisfério ocidental, que deveria estar dormindo enquanto ainda é noite. Nem todos estão de férias neste hotel, Iago. Será que vamos conseguir resolver isso antes do sol raiar?

A algazarra se alastrou ainda mais. É lógico, não é uma família iniciante. Eles têm um radar que capta a presença de seguranças, e misteriosamente só eu ouvi a baderna. Ninguém mais. Não havia maneira de dormir. Tentei de tudo. Até o barulho do ar condicionado tentou me ajudar, mas não foi suficiente. As gaivotas estavam a mil e também contribuíram para a noite insone. 
 
Hoje vou tentar encontrá-los na praia. Se nessa noite rolar outra festinha, que pelo menos me convidem!

por @LuMicheletti


Fotos Curiosas

Alô amigos,

seguem umas fotos curiosas que tirei ao longo dessa vida…

@LuMicheletti

Corvo. Austin, Texas - 2009

Brinquedos tristes. Stratford Upon Avon, Inglaterra - 2009

Gato culto. São Paulo, 2008.

NY Quadriculada. Nova York, 2009.

Romance. São Sebastião, 2009.

Caminhoneiro feliz. Cubatão, 2008.

Foi sem querer. Reading, 2008.

Lua Cheia. São Paulo, 2008.

Na Bahia até eu... Bahia, 2007.

Mumiau. Londres, 2008.

Cada um, cada um e vice-versa. Reading, 2008.


O Ano é Novo até Quando?


Comentários

Não sei por que os comentários não aparecem no blog… eu preciso aprová-los primeiro… weird.


E se os nossos pensamentos aparecessem escritos sobre nossas cabeças?

originalmente postado em 24/04/2009 

foto que tirei em algum lugar do interior da Inglaterra

Algum cientista russo e maluco já deve ter descoberto como fazer isso há décadas, quando ele ainda morava na União Soviética. Só que aí uns americanos invejosos sequestraram ele e continuam mantendo o cara preso num abrigo subterrâneo num deserto qualquer no Novo México. Tô brincando, isso não aconteceu. Na verdade eu é que estou tentando desenvolver esta técnica com a alta tecnologia da caneta nanquim e do caderninho molesquine.

E tem dado certo…

Sabe, isso ia ser bastante interessante. Imagina só: todas aquelas pessoas que dizem uma coisa e pensam outra iam ter que parar com isso.

Seria também um maravilhoso remédio para timidez. Se não há como mentir, não há como disfarçar! As pessoas assumiriam seus sentimentos com mais naturalidade, depois de um choque inicial.

As sessões de terapia seriam mais rápidas. O paciente não teria como se auto-sabotar. As informações estariam todas ali, em cima da cabeça dele. Bastaria ler.

Não seria necessário patentear nenhuma idéia. Caso alguém roubasse a sua, era só olhar a cronologia dos balõezinhos e ver quem pensou primeiro.

O moralismo e a hipocrisia acabariam. Todo mundo ia perceber que absolutamente todas as pessoas têm pensamentos positivos e negativos. Tudo ficaria mais claro. Bastaria reconhecê-los e fazer as transformações necessárias. Meditação se transformaria em Liquid Paper.

E aí, alguém encararia?


Hello world!

Olá, amigos!

Esse é o primeiro post do meu novo blog. Ainda estou em fase de tentar não apanhar tanto do blog… mas até agora até que não tive grandes dificuldades : )

Vou continuar postando meus contos, crônicas, desenhos e relatos para você acompanhar. Vou também passar uns posts antigos para esse blog.

Dá pra mudar a cor, gostei!

Uhuuuu!

Bem vindo a esse blog LINDO!

Em breve eu volto! Vou fuçar mais um pouco por aqui.

Bjs!